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  "title": "Education on Tiago Lima",
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        "id": "http://tiagolima.micro.blog/2026/04/22/do-campo-de-batalha-ao.html",
        "title": "Do Campo de Batalha ao Laboratório",
        "content_html": "<p>É indiscutível que as guerras são acontecimentos históricos catastróficos que assolam a humanidade. Ainda assim, conflitos bélicos atuam historicamente como catalisadores de inovação, forçando a humanidade a superar limites técnicos sob a pressão existencial da sobrevivência. O radar, a energia nuclear e a <a href=\"https://pt.wikipedia.org/wiki/ARPANET\">ARPANET</a> são exemplos concretos de quanto a humanidade avançou tecnologicamente em meio à tensão da Segunda Guerra Mundial.</p>\n<p>A computação segue a mesma lógica. Em um livro de referência sobre simulações computacionais que li recentemente, o argumento aparece de forma direta:</p>\n<blockquote>\n<p>Computer simulation started as a tool to exploit the electronic computing machines that had been developed during and after the Second World War. These machines had been built to perform the very heavy computation involved in the development of nuclear weapons and code-breaking. In the early 1950s, electronic computers became partly available for non-military use and this was the beginning of the discipline of computer simulation.</p>\n</blockquote>\n<p>Antes desse salto, o que existia era a computação analógica e a análise numérica manual. Havia alguns trabalhos sobre resolução mecânica de equações, mas nada comparado ao que conhecemos hoje como simulações computacionais.</p>\n<p>O marco dessa transição ocorreu no Los Alamos National Laboratory, nos Estados Unidos. Em 1953, o MANIAC — um dos computadores mais poderosos da época — foi utilizado para a primeira simulação computacional de líquidos, utilizando o <a href=\"https://pt.wikipedia.org/wiki/Algoritmo_de_Metropolis%E2%80%93Hastings\">Algoritmo de Metropolis</a>.</p>\n<figure>\n  <img src=\"https://cdn.uploads.micro.blog/163319/2026/maniac-computer.webp\" width=\"600\" height=\"399\" alt=\"Computador MANIAC no Los Alamos National Laboratory\">\n  <figcaption>O computador MANIAC, utilizado em 1953 para as primeiras simulações de Monte Carlo. <a href=\"https://www.computerhistory.org/revolution/supercomputers/10/28/46\" target=\"_blank\">Purchase of the Computer History Museum</a> </figcaption>\n</figure>\n<p>A computação evoluiu muito nos setenta anos que se seguiram. Hoje, as simulações computacionais podem ser comparadas diretamente com experimentos reais: testando modelos e oferecendo <em>insights</em> aos experimentalistas na interpretação de novos resultados. Essa capacidade de cruzar modelos teóricos com previsões verificáveis é o que qualifica as simulações ao nome de experimentos computacionais.</p>\n<p>Ferramentas como <a href=\"https://www.lammps.org/#gsc.tab=0\">LAMMPS</a> e <a href=\"https://www.quantum-espresso.org/\">Quantum ESPRESSO</a> — que utilizo no meu próprio trabalho de doutorado — são o ápice de uma jornada de mais de meio século, desbravada por pessoas com um conhecimento incrível e uma visão extraordinária para a época.</p>\n",
        "date_published": "2026-04-22T00:24:34-03:00",
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        "tags": ["Science","Long post","Education","Technology"]
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      {
        "id": "http://tiagolima.micro.blog/2026/03/24/quando-a-dvida-durava-um.html",
        "title": "Quando a dúvida durava um dia",
        "content_html": "<img src=\"https://cdn.uploads.micro.blog/163319/2026/estudo-manual.webp\" alt=\"Uma pessoa está escrevendo em um caderno ao lado de um livro aberto sobre uma mesa de madeira.\">\n<p>Ao longo da semana, em conversas com amigos, rememorei o modo como eu e meus colegas estudamos durante a nossa graduação, de 2006 a 2011. Na época, nós não tínhamos acesso a notebooks, laptops e muito menos smartphones — que surgiram como conhecemos hoje em 2007. O processo de aprendizado era totalmente manual, utilizando livros, artigos impressos e a escrita. Não existiam tablets capazes de armazenar dezenas de livros e artigos em um único local.</p>\n<p>Durante esse período, com frequência me recordo de que, ao estudar, mantinha um pequeno caderno onde registrava minhas dúvidas, trechos, referências, entre outros elementos que me atraíam e que, obviamente, me ajudariam a ser aprovado nas disciplinas. Lembro-me de várias vezes em que tinha de esperar chegar à biblioteca, passar alguns bons minutos para encontrar um livro que respondesse às minhas perguntas. Nada ocorria imediatamente. Às vezes, a dúvida era “carregada” de um dia para o outro, já que não tinha acesso a livros acadêmicos fora da universidade.</p>\n<p>Era uma época em que nenhuma solução era imediata! Tudo precisava esperar, seja para chegar à biblioteca no dia seguinte para pegar o livro <em>x</em> ou para falar com o professor <em>y</em>, isso quando estavam disponíveis. Cansei de ir à biblioteca e encontrar o livro que procurava emprestado! Nesse caso, o tempo de espera para esclarecer minhas dúvidas era bem maior.</p>\n<p>Recentemente, retornei à vida acadêmica e percebi o quão rápido podemos encontrar respostas para as nossas dúvidas. Tenho um dispositivo com dezenas de livros de meu interesse e internet acessível a qualquer momento para realizar pesquisas. Hoje, não há espera!</p>\n<p>Como tudo se tornou tão rápido e tão imediato, às vezes eu tenho a sensação de que poderia fazer mais, produzir mais. Não me recordo de ter vivenciado isso na época da graduação. Naquele período, era mais leve, embora me sentisse pressionado nos estudos — até porque conduzir um curso de física nunca foi fácil —, fazia o meu melhor, mas não tinha o sentimento de que podia ser mais produtivo. É um sentimento estranho que, às vezes, leva a um estresse desnecessário.</p>\n<p>É inegável a evolução que o acesso à tecnologia traz à sociedade, mas eu acredito que ainda não sabemos como lidar com toda essa evolução que nos foi apresentada ao longo da última década. Muita coisa mudou desde a conclusão da minha graduação e, claro, o acesso às tecnologias tem um papel central nessa mudança.</p>\n",
        "date_published": "2026-03-24T23:05:04-03:00",
        "url": "https://micro.vercosa.org/2026/03/24/quando-a-dvida-durava-um.html",
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