Testando o Helium no meu computador principal. Já gostei bastante do minimalismo: sem bloat, muito leve, com uma interface bem limpa e, o mais importante, sem IA embutida. Tirando o Zen, que já uso há algum tempo, fazia tempo que eu não encontrava um navegador baseado em Chromium tão minimalista e sem trackers.
Uso o Neovim desde meados de 2016 e sempre “travava uma batalha” com meus arquivos de configuração. Perdi as contas de quantas vezes passei um tempão configurando o ambiente, isso quando não aparecia algum bug, seja por descuido ou por alguma atualização. Agora, com essas IAs, monto tudo do jeito que quero e, se houver algum problema, uso o Claude Code para ajustar o que está “desalinhado”. Não levo mais de 10 minutos para deixar tudo alinhado.
Volta e meia chegam para mim e-mails de algum serviço/empresa solicitando usar meus dados para treinar os seus modelos de IA. Eu nunca achei legal essa ideia de compartilhamento indiscriminado de dados circulando pela internet. Inclusive, é por esse motivo que evito usar muitos dos serviços do Google — uso o verbo evitar porque é quase impossível não usar algum serviço deles —, como exemplo, eu deixei de usar o Gmail como meu e-mail principal ainda em meados de 2015.
O da vez foi o GitHub, que mandou um e-mail solicitando a permissão para usar os dados para melhorar as ferramentas de codificação baseadas em IA. A empresa tem acesso a milhões de códigos para aprimorar a sua IA e ainda quer os nossos dados para esse fim. Ao menos nos ofereceram a possibilidade de rejeitar essa solicitação.
Todos nós já estamos completamente envolvidos pela IA, desde as tarefas mais simples até as mais complexas. Eu, por exemplo, utilizo o Gemini e a Perplexity AI de várias maneiras no meu dia a dia, cada um com a sua especificidade e finalidade. No entanto, o medo constante de me achar cada vez mais dependente intelectualmente dessas ferramentas me assusta.
Essa preocupação, ainda bem, não é só minha. Durante a sua participação na Cúpula de Impacto de IA, o CEO da Google DeepMind, afirmou que o uso preguiçoso, ou seja, se utilizada como atalho, as ferramentas de IA podem comprometer o pensamento crítico. No entanto, se usada como ferramenta de aprendizado, a IA amplia suas capacidades.
Vale ressaltar que o uso da inteligência artificial é uma questão de livre-arbítrio, podendo o usuário usá-la para seu crescimento intelectual ou apenas como uma muleta para agilizar seu trabalho tedioso. E, na minha opinião, as duas formas de utilizar a ferramenta são válidas, desde que sejam resguardadas as suas finalidades.
Recentemente, têm veiculado notícias de que o WhatsApp estaria “enganando” os usuários quanto à sua criptografia de ponta a ponta (E2EE). Uma ação coletiva no tribunal federal dos EUA alega que a promessa de criptografia é enganosa. A acusação surgiu a partir de relatos de que funcionários da Meta poderiam acessar mensagens por meio de sistemas internos; a empresa, no entanto, nega as acusações afirmando que “nem mesmo o WhatsApp” pode ler as mensagens do usuário.
Mas quem, realmente, se importa com a privacidade de suas mensagens?
Notícias como essa não são novidade nos últimos anos. Empresas como Google e Meta apresentam um modelo de negócios em que os dados de seus usuários são seus produtos. Essa coleta agressiva de dados, somada à tentativa de manter os usuários ligados nas telas praticamente 100% do tempo, levanta um questionamento muito pertinente na “era dos dados”.
Com a ascensão de modelos de IA em todas as áreas, está cada vez mais difícil preservar sua privacidade na internet. Por exemplo, uma tendência que incentiva usuários de redes sociais a solicitar caricaturas próprias a esses modelos — incluindo nome e detalhes relacionados à profissão — representa um risco real, alertam analistas de segurança. Isso pode abrir brechas que permitiriam a cibercriminosos usar ferramentas de inteligência para descobrir o e-mail, empregar ataques de phishing e até mesmo visualizar o histórico de prompts caso obtivessem acesso ao login.
Então surge novamente a pergunta. Quem, realmente, se importa com a privacidade de seus dados?
Mesmo diante de todos esses relatos, como a tendência das caricaturas e o uso de mensageiros com políticas de privacidade duvidosas, a utilização dessas ferramentas no dia a dia continua em alta. Nas últimas semanas, o status do meu WhatsApp — sim, eu uso o WhatsApp, porque sem ele fico quase incomunicável — foi tomado por diversas dessas caricaturas. Não observo uma preocupação consistente da população em proteger a privacidade de seus dados nas grandes redes.
Tenho a impressão de que, desde o início dos anos 2010, deixamos de ter uma vida verdadeiramente privada. Aparentemente, poucos se importam com isso, e a tendência é que a situação se agrave. Procuro fazer a minha parte: tento evitar serviços que exploram excessivamente meus dados e, sempre que possível, busco conscientizar as pessoas sobre os riscos de expor seus dados na rede mundial de computadores.
PS.: procuro usar o Signal como meu mensageiro principal, mas, infelizmente, ainda dependo muito do WhatsApp, principalmente para trabalho.
As ferramentas de IA é tudo que há nos dias atuais. O hype é grande e o seu uso, por muitos, é indiscriminado, mas se pensarmos bem, isso tem uma implicação grande na questão de privacidade de dados. Eu sei que muitos não se importam, mas se pensarmos bem, não seria nada benéfico ter, por exemplo, o histórico de nossas conversas viajando pela web e sendo processada em servidores de terceiros. Eu sei que IA é muito legal, eu também uso e gosto bastante, mas temos que ter bom senso em seu uso.