Testando o Helium no meu computador principal. Já gostei bastante do minimalismo: sem bloat, muito leve, com uma interface bem limpa e, o mais importante, sem IA embutida. Tirando o Zen, que já uso há algum tempo, fazia tempo que eu não encontrava um navegador baseado em Chromium tão minimalista e sem trackers.
Qual é o problema de as grandes empresas de tecnologia não fornecerem um serviço de WebDAV? Tudo bem que o protocolo é antigo, mas é muito útil para acessar arquivos em servidores remotos como se fossem locais, além de possuir uma conexão facilitada com alguns aplicativos. Agora, estou precisando de mais armazenamento no Zotero e, como ele suporta WebDAV, seria uma ótima solução para mim. Fuçando a internet, encontrei o Koofr, um serviço que eu não conheço, mas vale a pena testar para, pelo menos, usar o WebDAV e armazenar os PDFs do Zotero.
É impressionante como se tornou difícil encontrar um navegador que realmente atenda às minhas necessidades. Gosto muito do Firefox e o utilizo desde meados de 2008, mas quase diariamente surge uma notícia desanimadora — ora sobre seu desempenho, ora sobre falhas que podem comprometer o hardware. Às vezes cogito o Chrome, mas sua fama de ‘devorador’ de RAM, somada à pesada telemetria do Google, me faz passar longe.
Já me sugeriram o Brave, o Edge, o Arc e tantos outros, mas, para mim, não passam do Google Chrome com uma roupagem diferente, um Chromium com skin. Quanto ao Safari, após a atualização para o macOS 26, ele ficou visualmente desagradável, parecendo um aplicativo infantil.
Sempre procuro o navegador ideal para definir como meu padrão, mas acabo sempre retornando ao Firefox. Para mim, é uma opção consolidada que oferece o equilíbrio certo de privacidade, após alguns ajustes manuais, é claro.
Após uma rápida conversa com Leandro Maciel no Mastodon, fiz a seguinte pergunta: Será que eu conseguiria personalizar o tema do meu blog hospedado no Micro.blog? A resposta curta é sim!
Sentei-me em frente ao computador e comecei a arquitetar como o Hugo — motor responsável por gerar sites estáticos — renderiza o blog e como o tema é estruturado. Analisando o repositório do tema, rapidamente consegui criar uma página inicial para o meu blog, com uma pequena apresentação.
Fiquei muito satisfeito com o resultado, o que abriu uma gama de possibilidades para personalização. Desse modo, volto a desenvolver e aprimorar meu blog no serviço Micro.blog, não perdendo as facilidades que o serviço proporciona.
A propósito, vale a pena conhecer o blog do Leandro Maciel. Trata-se de um espaço pessoal e autoral, com excelente conteúdo. Já está no meu blogroll.
Todos nós já estamos completamente envolvidos pela IA, desde as tarefas mais simples até as mais complexas. Eu, por exemplo, utilizo o Gemini e a Perplexity AI de várias maneiras no meu dia a dia, cada um com a sua especificidade e finalidade. No entanto, o medo constante de me achar cada vez mais dependente intelectualmente dessas ferramentas me assusta.
Essa preocupação, ainda bem, não é só minha. Durante a sua participação na Cúpula de Impacto de IA, o CEO da Google DeepMind, afirmou que o uso preguiçoso, ou seja, se utilizada como atalho, as ferramentas de IA podem comprometer o pensamento crítico. No entanto, se usada como ferramenta de aprendizado, a IA amplia suas capacidades.
Vale ressaltar que o uso da inteligência artificial é uma questão de livre-arbítrio, podendo o usuário usá-la para seu crescimento intelectual ou apenas como uma muleta para agilizar seu trabalho tedioso. E, na minha opinião, as duas formas de utilizar a ferramenta são válidas, desde que sejam resguardadas as suas finalidades.
Recentemente, têm veiculado notícias de que o WhatsApp estaria “enganando” os usuários quanto à sua criptografia de ponta a ponta (E2EE). Uma ação coletiva no tribunal federal dos EUA alega que a promessa de criptografia é enganosa. A acusação surgiu a partir de relatos de que funcionários da Meta poderiam acessar mensagens por meio de sistemas internos; a empresa, no entanto, nega as acusações afirmando que “nem mesmo o WhatsApp” pode ler as mensagens do usuário.
Mas quem, realmente, se importa com a privacidade de suas mensagens?
Notícias como essa não são novidade nos últimos anos. Empresas como Google e Meta apresentam um modelo de negócios em que os dados de seus usuários são seus produtos. Essa coleta agressiva de dados, somada à tentativa de manter os usuários ligados nas telas praticamente 100% do tempo, levanta um questionamento muito pertinente na “era dos dados”.
Com a ascensão de modelos de IA em todas as áreas, está cada vez mais difícil preservar sua privacidade na internet. Por exemplo, uma tendência que incentiva usuários de redes sociais a solicitar caricaturas próprias a esses modelos — incluindo nome e detalhes relacionados à profissão — representa um risco real, alertam analistas de segurança. Isso pode abrir brechas que permitiriam a cibercriminosos usar ferramentas de inteligência para descobrir o e-mail, empregar ataques de phishing e até mesmo visualizar o histórico de prompts caso obtivessem acesso ao login.
Então surge novamente a pergunta. Quem, realmente, se importa com a privacidade de seus dados?
Mesmo diante de todos esses relatos, como a tendência das caricaturas e o uso de mensageiros com políticas de privacidade duvidosas, a utilização dessas ferramentas no dia a dia continua em alta. Nas últimas semanas, o status do meu WhatsApp — sim, eu uso o WhatsApp, porque sem ele fico quase incomunicável — foi tomado por diversas dessas caricaturas. Não observo uma preocupação consistente da população em proteger a privacidade de seus dados nas grandes redes.
Tenho a impressão de que, desde o início dos anos 2010, deixamos de ter uma vida verdadeiramente privada. Aparentemente, poucos se importam com isso, e a tendência é que a situação se agrave. Procuro fazer a minha parte: tento evitar serviços que exploram excessivamente meus dados e, sempre que possível, busco conscientizar as pessoas sobre os riscos de expor seus dados na rede mundial de computadores.
PS.: procuro usar o Signal como meu mensageiro principal, mas, infelizmente, ainda dependo muito do WhatsApp, principalmente para trabalho.
A versatilidade de construir um site estático com o Hugo é impressionante. Em questão de minutos, consegui adicionar um segundo idioma ao meu site. Agora, além do português do Brasil, ele também está disponível em inglês. Ainda preciso traduzir os posts antigos para o novo idioma, mas toda a estrutura e apresentação do site já se encontram disponíveis em inglês: vercosa.org
Recentemente assisti a um vídeo de Vladimir Campos no qual ele incentiva a criação de um blog pessoal. A proposta é bastante pertinente e reflete um movimento crescente de conscientização entre pessoas que, assim como eu, se sentem sufocadas pelos algoritmos invasivos das grandes plataformas digitais. Além disso, há uma postagem, escrita em tom divertido e jocoso, em um blog que apresenta, de forma bastante bem-humorada, as vantagens de manter um espaço próprio na internet.
Retomando o vídeo, o apresentador destaca o quanto pode ser gratificante construir a própria “morada” na internet, moldada pelo seu estilo e pela sua personalidade. Cada blog acaba sendo único, refletindo, dentro do possível, carregando a natureza de quem o cria. Pode-se até argumentar que falta conhecimento técnico para colocar um blog no ar ou mesmo para hospedar um site pessoal. No entanto, é justamente nesse processo de descoberta, aprendizado e construção que reside grande parte do encanto dessa experiência.
Não é necessário fazer tudo de uma só vez, nem construir algo completo da noite para o dia. O aprendizado envolvido na criação do blog faz parte do processo, assim como os erros que surgem ao longo do caminho. Com o auxílio das diversas ferramentas de inteligência artificial disponíveis, é possível pesquisar, tirar dúvidas e aprender gradualmente. Esse percurso, feito passo a passo, acaba criando um certo apego emocional àquilo que está sendo desenvolvido, afinal, trata-se de algo que você constrói, ajusta e evolui com o tempo.
Com o blog estruturado, funcional e pronto para uso, sem a necessidade de ser algo grandioso ou sofisticado, bastando que seja autêntico e reflita o seu gosto, chega o momento de publicar e produzir conteúdo. É a oportunidade de exercitar a escrita, dedicando mais atenção e cuidado ao que será compartilhado. Diferentemente da interações efêmeras, como os comentários em fotos ou respostas rápidas em publicações alheias, o que é publicado em um blog tende a ser mais duradouro. Trata-se do seu espaço e da forma como você escolhe se apresentar ao mundo por meio da internet. Escrever é um exercício exigente, e somente a prática contínua permite o desenvolvimento de textos mais consistentes e bem elaborados.
Espero que, nos próximos anos, a quantidade de blogs continue a crescer. Faz-se necessário resgatar interações mais humanas na internet, reduzindo a dependência de sistemas automatizados que, muitas vezes, direcionam nossa atenção e consomem um tempo que poderia ser empregado de forma mais consciente e proveitosa.
Observando e testando, com curiosidade, o tema Hextra para colocar no ar o meu projeto pessoal. Gostei bastante da forma como o tema separa as postagens do blog de uma seção chamada Documentação (Documentation). Esta última parece ideal para o que estou pensando em desenvolver. Não se trata exatamente de uma documentação, mas de algo semelhante. Preciso de uma estrutura organizada, com hierarquia e conexões coerentes entre os temas.
Vai dar um pouco de trabalho, mas será prazeroso iniciar esse projeto. Exigirá muita dedicação e conhecimento técnico, além de experiência, para que tudo funcione como imagino. Ainda assim, acredito que minha maior dificuldade será encontrar o tempo necessário para manter a constância na evolução do projeto. Atualmente, só disponho dos fins de semana para trabalhar nele e, às vezes, nem todos estão disponíveis.
O primeiro long-post no blog não poderia ser diferente: precisava contar o que me fez sair das redes sociais e me aventurar na criação deste blog. O desejo de criar um blog não é recente e remete ao início dos anos 2000. Não vou escrever neste post toda essa história, até porque ficaria enfadonho, mas, em publicações futuras, pretendo contar um pouco de como surgiu a minha vontade de criar um blog.
Recordo-me de que, naquela época, navegava pela internet e via uma enxurrada de blogs sobre os mais diversos assuntos. Com o tempo, essa quantidade de sites, que tinham a cara de seus criadores, foi diminuindo e dando lugar às grandes empresas de tecnologia e às suas redes sociais centralizadas. Foi então que surgiram os hoje falecidos Orkut (2004) e MySpace (2002/2003), bem como os ainda em operação Facebook (2004), Twitter/X (2006) e LinkedIn (2003), entre outros menos conhecidos.
Com a evolução dessas redes, passei a experimentar um ambiente saturado por propagandas, rastreadores, robôs, manipulações de feed, algoritmos viciantes e as já famigeradas rolagens infinitas. Havia momentos em que entrava em um túnel que, quando me dava conta, já haviam se passado vários minutos da minha vida, fazendo absolutamente nada. Precisava parar!
Nessa busca por uma alternativa, resolvi me afastar cada vez mais das redes sociais tradicionais e centralizadas para me aventurar na blogosfera. Após inúmeras tentativas frustradas de conectar o blog aos protocolos ActivityPub e AT Protocol, a fim de obter interações vindas do Mastodon e do Bluesky, respectivamente, veio a escolha pelo Micro.blog. A plataforma ofereceu diversas facilidades, permitindo a publicação tanto de posts curtos quanto de ensaios mais longos, além do cross-posting entre várias plataformas, poupando-me um tempo que muitas vezes não tenho.
Por meio de um agregador, consegui reencontrar uma tranquilidade na internet que havia anos não experimentava. Agora sigo apenas blogs sobre temas que realmente me interessam e que agregam de alguma forma, seja por conhecimento, informação ou simples distração. E, se eu puder lhe dar uma sugestão: crie um blog e fuja das manipulações que as redes sociais nos impõem.